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Num mês frio, chegou uma novidade quentinha aqui em casa ...
Não é linda?! É a nossa nova filhotinha, a Juli. Ela chegou dia 25 de julho para nos fazer companhia e ser a companheira da Nina.
Depois de um período meio conturbado de adaptação, agora elas não se desgrudam...
Filmes sobre cães são sempre emocionantes, principalmente para quem tem animais de estimação.
Em 2009 tivemos o lindo e engraçado Marley e eu.Em 2010, Sempre ao seu lado, que conta a história de Hachiko, um cão da raça Akita, encontrado pelo professor Parker numa estação de trem.Diferentemente de Marley e eu, cujo enredo tem o olhar do dono do cão, os acontecimentos são narrados pelo neto do professor mas têm o olhar do cão.Essa diferença é fundamental para a reflexão das questões abordadas no filme : lealdade, escolhas e a morte.São questões abordadas pelo olhar canino,mas perfeitamente cabíveis em nossas vidas.Nesse filme temos um quê oriental, responsável por essa reflexão diferenciada, é uma história em que o cão não fica na casa com seus donos apenas por um prato de comida.
Temos toda uma simbologia : Hachiko significa "oito" em japonês, número que é o símbolo do infinito , da perfeita união entre céu e terra.É esta simbologia que move o enredo; Hachi está predestinado a cumprir uma missão : unir-se infinitamente ao seu dono.O falecimento do professor faz com que o cão escolha esperá-lo na estação de trem, até o dia em que morre e assim cumpre o seu destino : reencontrar-se com seu dono.
A trajetória de Hachi é super emocionante, nos remete aos nossos atos de lealdade ao próximo, sem interesses.Nos faz refletir também na questão do luto, de como encaramos a morte de alguém querido, das escolhas que fazemos para lidar e superar ( ou não ) essa perda.Hachi perde seu dono mas o espera rotineiramente, ano após ano, como sempre fez.
Outra cena emocionante é quando a filha do professor, que passa a cuidar de Hachi, percebe que ele não quer estar naquela nova casa, quer estar na estação; ela diz que o ama mas lhe dá a escolha de ir embora em busca de seu destino.Isso é sublime (é em relação ao cachorro mas poderia ser em relação a qualquer ser humano), é encarar o amor como algo que liberta; é permitir ao próximo partir, escolher o seu próprio caminho, libertar e se desprender do ser amado para que este seja feliz, ou pelo menos tente.
No final, Hachi une-se ao dono, não no plano terreno, mas sim no plano espiritual, infinitamente.A cena que mostra Hachi, já velhinho, indo até a estação para morrer e cumprir seu destino, me lembrou muito o episódio da morte da cadelinha Baleia ( do romance Vidas Secas ); assim como ela, que no momento da morte vislumbra um tipo de paraíso, um mundo de coisas boas, Hachi também vê seu paraíso : o reencontro com seu dono.
Todas essas questões abordadas no filme, pelo olhar de Hachi, na verdade são questões humanas, e por isso nos tocam e emocionam tão profundamente...